Clínicas de Vacina

Por que a cobertura vacinal caiu no Brasil

Por Redação do Clínicas de Vacina. Publicado em (revisão da mesma data).

A cobertura vacinal no Brasil vem em queda desde meados da década de 2010, depois de um longo período em patamar elevado. Os números, levantados a partir de dados do DATASUS, mostram a dimensão da mudança.

Os números

Segundo levantamento do Observatório da Atenção Primária à Saúde a partir de dados do DATASUS, divulgado pela Agência Brasil, a cobertura vacinal nacional se manteve acima de 70% entre 2001 e 2015. A partir de 2016, o indicador caiu para 59,9% e seguiu em queda nos anos seguintes, até chegar a 52,1% em 2021, o menor patamar em 20 anos. O levantamento também mostra diferenças regionais amplas: Roraima registrou a menor cobertura entre os estados, com 29,9%, enquanto Tocantins teve a maior, com 61,9%.

Por vacina, o mesmo levantamento aponta que, entre 2015 e 2021, a BCG teve a maior queda entre as nove vacinas analisadas pelo DATASUS, de 38,8%, seguida pela hepatite A, com queda de 32,1%, e pela vacina poliomielite, com queda de 30,7%.

Fatores apontados por especialistas e pelo Ministério da Saúde

Pesquisadores ouvidos pela Agência Brasil e o próprio Informe Técnico do Programa Nacional de Imunizações apontam mais de um fator para a queda, sem atribuir a um único motivo isolado:

  • Impacto da pandemia de covid-19. O Informe Técnico do Ministério da Saúde registra que, segundo pesquisa da Organização Mundial da Saúde com 61 países, 85% identificaram queda nas imunizações em maio de 2020, com causas como redução da procura pela população, falta de equipamentos de proteção individual, restrições de viagem e falta de profissionais de saúde. No Brasil, o mesmo documento mostra queda no registro de doses aplicadas entre março e maio de 2020, período de maior isolamento social.
  • Redução de orçamento para campanhas, segundo dado citado pela Agência Brasil, que caiu de R$ 77 milhões em 2018 para R$ 45 milhões em 2020.
  • Hesitação vacinal, descrita por especialistas como o atraso ou a recusa em vacinar mesmo com a vacina disponível e acessível.

O que o governo federal fez em resposta

A partir de 2023, o Ministério da Saúde anunciou ações para reconstrução do sistema de vacinação, incluindo R$ 151 milhões em repasses a estados e municípios para iniciativas de recuperação da cobertura, sendo R$ 13 milhões para estados e R$ 138 milhões para municípios, além de elevar a Coordenação-Geral do Programa Nacional de Imunizações à condição de departamento, para fortalecer a estrutura do programa.

A queda não foi uniforme entre as vacinas

Como mostram os números por vacina do próprio levantamento, algumas doses caíram mais do que outras no mesmo período: a BCG, aplicada ainda na maternidade, teve a maior queda proporcional entre as nove vacinas analisadas, o que sugere fatores específicos além dos já citados, como o próprio acesso ao parto e ao pós-parto imediato, além da queda geral de procura pela vacinação. Entender essa diferença entre vacinas específicas, e não apenas olhar a média nacional, é parte do que os gestores de saúde usam para decidir onde concentrar esforços de recuperação de cobertura.

O que a queda de cobertura representa

Para entender as consequências práticas de uma cobertura vacinal abaixo do necessário, veja o que acontece quando a cobertura cai. Para consultar o número da sua cidade, veja como consultar a cobertura vacinal da sua cidade.

Recuperação é um processo contínuo, não um evento único

Os repasses federais anunciados a partir de 2023 são parte de uma resposta de médio prazo, e a recuperação da cobertura não acontece de um ano para o outro: depende de reconstruir a procura da população pelos serviços de vacinação, de garantir insumo e estrutura suficientes nos municípios, e de sustentar esse esforço por vários ciclos de vacinação seguidos, já que uma única campanha bem-sucedida não substitui a cobertura de rotina mantida ano após ano.

Este conteúdo é informativo, elaborado a partir de fontes públicas listadas acima.

Fontes

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