Clínicas de Vacina

Diferença entre vacina e soro

Por Redação do Clínicas de Vacina. Publicado em (revisão da mesma data).

Vacina e soro são os dois nomes que mais se confundem em imunização, e a diferença entre eles está no momento em que cada um age e em como cada um funciona no corpo.

Vacina: prevenção, estimulando o próprio organismo

A vacina é um imunobiológico usado antes da exposição à doença. Ela apresenta ao sistema imunológico uma versão morta, enfraquecida ou um fragmento do agente causador de uma doença, para que o próprio corpo aprenda a reconhecê-lo e produza os anticorpos de defesa. Essa resposta, construída pelo próprio organismo, costuma durar mais tempo, e é por isso que vacinas oferecem proteção prolongada, medida em anos ou, em alguns casos, para toda a vida.

Soro: tratamento, com anticorpos prontos

O soro, segundo o Instituto Butantan, também é um imunobiológico, mas com finalidade diferente: "é também um imunobiológico mas, diferentemente da vacina, é uma forma de tratamento, não de prevenção". Em vez de estimular o corpo a produzir seus próprios anticorpos, o soro já entrega anticorpos prontos, geralmente produzidos a partir do plasma de um animal exposto ao agente da doença, como o cavalo, no caso da produção do Instituto Butantan. Por isso, o soro costuma ser usado depois da exposição a um agente, como em casos de picada de animal peçonhento ou em determinadas situações de exposição à raiva, quando não há tempo de esperar a resposta imunológica de uma vacina.

Por que a duração da proteção é diferente

Como o soro fornece anticorpos já prontos, em vez de ensinar o corpo a produzi-los, essa proteção não dura tanto quanto a de uma vacina: os anticorpos recebidos são eliminados pelo organismo ao longo do tempo, sem deixar uma memória imunológica duradoura. A vacina, por estimular a própria resposta do corpo, tende a formar uma proteção mais duradoura, o que justifica o uso de doses de reforço em algumas delas; veja em por que algumas vacinas precisam de reforço.

E o plasma, onde entra nessa comparação

O Instituto Butantan também distingue vacina e soro do plasma convalescente, usado em outro contexto: o plasma é o componente líquido do sangue de uma pessoa que já se recuperou de uma infecção, e pode conter anticorpos contra aquele agente específico. Assim como o soro, o plasma fornece uma defesa pronta em vez de estimular o corpo a produzi-la, mas vem de doação humana, com todo o processo de triagem e segurança que isso exige, e não da imunização de animais usada na produção da maioria dos soros. Os três produtos (vacina, soro e plasma) têm indicações e formas de produção diferentes, e nenhum substitui o outro dependendo do objetivo: prevenir, tratar uma exposição aguda ou fornecer defesa pontual a partir de doação.

Por que a confusão é comum

Parte da confusão entre vacina e soro vem do uso popular da palavra "soro" para se referir a qualquer solução aplicada por via intravenosa, incluindo o soro fisiológico, usado para hidratação ou como veículo de medicamentos, que não tem nenhuma relação com imunização. O soro antiofídico, o soro antitetânico e os demais soros usados como imunobiológicos são produtos biológicos específicos, diferentes tanto do soro fisiológico quanto das vacinas, e cada um tem uma indicação médica precisa.

Onde cada um é usado

Vacinas fazem parte da rotina de prevenção descrita no Calendário Nacional de Vacinação, aplicadas antes do contato com a doença. Soros são usados em situações específicas de tratamento ou de profilaxia depois de uma exposição, e a indicação de qual soro usar, quando e em que dose é sempre uma decisão do profissional de saúde que avalia o caso, considerando o tipo de exposição e o histórico da pessoa.

Quem produz soro no Brasil

O Instituto Butantan é o principal produtor nacional de soros, incluindo o antiofídico, usado em picadas de cobra, e outros soros antiveneno para picada de escorpião e de aranha. Esses soros são distribuídos ao sistema público de saúde e ficam disponíveis principalmente em unidades de referência para atendimento de urgência, já que a situação em que são indicados costuma exigir atendimento rápido, diferente da vacinação de rotina feita na UBS.

Este conteúdo é informativo, elaborado a partir de fontes públicas listadas acima. A indicação de soro ou de vacina para uma situação específica é avaliada pelo profissional de saúde.

Fontes

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